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Giro de Notícias – Edição 96

Receita de PIB (Produto Interno Bruto) maior

 

País com uma historicamente baixa taxa de poupança, o Brasil é confrontado nesse momento, de um lado, com sérias dificuldades econômicas e, de outro, pelo reforço da ideia de que para sair delas precisa poupar mais. Algo capaz de garantir não só o retorno ao crescimento, mas também e especialmente torná-lo sustentável. O último a dizer isso é um estudo agora divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo o qual fundos de pensão e outros investidores institucionais devem ser incentivados pelo governo a investir em infraestrutura.

O título do estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é “Financiamento do Investimento em Infraestrutura no Brasil: uma Agenda para a sua Expansão Sustentada”.

Por seus longos ciclos de tempo, uma vez que aposentadoria é algo que faz imediatamente pensar em décadas à frente, os fundos de pensão são de todos os investidores institucionais os mais fortemente associados à ideia da poupança de longo prazo, daí a referência a eles no estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). E, de todas as carências brasileiras, a infraestrutura é uma das áreas onde o Brasil menos investiu, sendo essa falta de investimentos muito provavelmente uma das causas dos maus resultados da economia brasileira.

Muito a fazer – Após uma queda de quase 40% em 2015, os investimentos públicos voltaram a subir este ano, tendo crescido 8,3% no primeiro semestre de 2016, comparando com igual período do ano passado. É claro que a baixa taxa de comparação explica em boa parte essa subida, mas de toda forma é sem dúvida uma notícia positiva. Mas, em matéria de investimentos em infraestrutura, há muito por fazer se a ideia for compensar o atraso.

Nos últimos 20 anos o Brasil investiu em média pouco mais de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em infraestrutura. Subiu um pouco de 2001 para cá, chegando aos 2,8% do PIB (Produto Interno Bruto), mas ainda assim é pouco. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), seriam indispensáveis ao menos 3% do PIB (Produto Interno Bruto) todos os anos, sem deixar de referir que os outros países emergentes estão cravando uma média entre 4% e 5%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prega a entrada em cena de investidores e títulos privados, como as debêntures de infraestrutura, apoiados em estímulos tributários ampliados. Hoje, quase todo investimento é feito pelo Estado, que fornece quase R$ 2 de cada R$ 3 destinados à infraestrutura no Brasil.

Maior protagonismo – O Estado brasileiro enfrenta hoje uma séria crise de falta de recursos, o que torna ainda mais imprescindível o setor privado e, dentro dele, os fundos de pensão, assumir um muito maior protagonismo, havendo condições para isso. Para o economista José Roberto Rodrigues Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e um dos autores do estudo “Previdência Complementar e Poupança Doméstica: Desafios Gêmeos no Brasil”, apesar das dificuldades é possível esperar que o País promova uma expansão simultânea da poupança de longo prazo e da previdência complementar desde que sejam feitas algumas reformas essenciais. “Há um mercado potencial de 3,7 milhões de pessoas que poderão ingressar nos planos de benefícios e, ainda que apenas metade delas resolva aderir a um plano fechado, contribuindo com algo entre 4% e 6% de sua renda, em dez anos isso significaria um volume de ingressos da ordem de R$ 350 bilhões no sistema”, observa Afonso. Pela força com que a temática se mostra na agenda do sistema, ela vai estar presente direta ou indiretamente em diferentes momentos do 37º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, de 12 a 14 de setembro, em Florianópolis, mas particularmente no primeiro e último dia do evento, tendo o economista como um dos expositores.

Para isso, entretanto, será preciso rever políticas regulatórias e encontrar um novo arranjo institucional, com medidas governamentais mais justas inclusive com um tratamento tributário fomentador. “A poupança de longo prazo e a previdência devem ser vistas como gêmeos univitelinos e precisam caminhar juntas porque se houver fomento à previdência complementar será possível recuperar a poupança de longo prazo no País”, afirmou o economista.

(Fonte: Jorge Wahl)