Giro de Notícias – Edição 46
29 de julho de 2015
Ganho real da poupança e rentabilidade da Eletra
29 de julho de 2015
Exibir tudo

Giro de Notícias – Edição 47

Shakespeare, INSS e amor

 

Velhos, idosos, tiozinhos, não querem um forçado e melancólico “repouso”, assim como quis o rei Lear, querem mais algumas alegrias.

As crises econômicas brasileiras sempre foram meio desacreditadas pela população que, em cada uma de­las, trabalhou duro, criou oportunidades e continuou vivendo o dia a dia. Embora a atual crise esteja real­mente preocupando e fazendo muita gente ficar em casa, fui ao teatro assistir à peça “Rei Lear”, dirigida por Elias Andreato. O espetáculo me perturbou.

Tanto que perdi o sono em conjecturas sobre a vida. Seria a crise assombrando além do limite? Ainda não. O que provocou novas reflexões está no direito de vi­ver a vida e, ao perceber que o seu final está chegando, realmente deixar de trabalhar e curtir, ao máximo, o que ainda pode restar de tempo útil.

A trama da adaptação gira em torno de suposta sábia decisão de um rei em se aposentar para ser feliz –pois é, acreditou ser possível. Abdicou ao trono, passando às três filhas e aos genros tudo o que possuía.

Estabeleceu, no entanto, uma condição. Viveria o resto de seus anos aproveitando os prazeres possíveis com um séquito de cem homens armados para proteger­-lhe e residindo parte do tempo na casa de cada uma das filhas. Receberia, assim, sua justa pensão.

De cara, o rei se indispôs com a caçula, até então a filha preferida, que foi sincera ao ouvir a decisão da aposentadoria real.

Revoltado, tirou-a da partilha dividindo o reino em só duas partes. Tudo resolvido, dias depois partiu com seu séquito para a casa da primeira filha. E aí, como acontece com qualquer um de nós, seus problemas com a previdência começaram.

Mesmo animados pelos programas de motivação criados para a terceira idade, todos sabemos que fi­car velho não é fácil. Muito mais em um país como o nosso, em que não se respeita quase nada. Ainda menos os idosos que causam trabalho e despesa aos que acham que eles em nada contribuíram para ter um tratamento digno na velhice.

Nas minhas inquietantes constatações geradas pelo texto de Shakespeare, atual aos 410 anos nessa desa­fiadora tradução e adaptação para monólogo do po­eta Geraldo Carneiro, também está a discussão entre Congresso e governo federal quanto à sobrevivência de um já moribundo INSS. Quem pagou durante 30 anos suas contribuições mensais sobre até 20 salários mínimos, agora não recebe sequer 5 deles. E o futuro se desenha ainda pior.

Embora seja começo de tudo, por fim vem o amor. Um sentimento tão nobre, que nos envolve e motiva. Mas, a cada dia, é menos praticado do que aparece no falso discurso de algumas famílias e políticos.

Os asilos públicos para a velhice, como as cadeias e penitenciárias, estão superlotados. Os privados se tor­naram grandes negócios sob o sarcástico letreiro “casa de repouso”. Na verdade, são cemitérios de sonhos, tristes depósitos de frustrações, ansiedades e medos.

Velhos, idosos, tiozinhos, seja lá o nome que lhes de­rem, não querem um forçado e melancólico “repou­so”, assim como pretendeu o rei Lear, bem interpreta­do por Juca de Oliveira aos 80 anos. Querem merecer respeito e amor para, sem tanta responsabilidade com a felicidade dos outros, ainda alcançar mais algumas alegrias se aposentando do trabalho – não da vida.

(RICARDO VIVEIROS – Folha de S.Paulo)

A Geração Y está guardando o suficiente?

Segundo pesquisa, 67% dos Millennials não saem do orçamento, número que entre a geração do pós-guer­ra é de 55%. Mais um mito envolvendo a Geração Y, também conhecida como “Millennials”, pode estar caindo por terra.

Aparentemente, os Millennials [nascidos a partir dos anos 80 até meados da década de 90] têm hábitos de poupança para a aposentadoria melhores que os “Baby Boomers”, a geração nascida após a Segunda Guerra Mundial. Esses jovens guardam 8% de seus salários para a aposentadoria, segundo mostra uma pesquisa recente da T. Rowe Price. Já os Baby Boomers, com idades entre 50 e 70 anos, estão um pouco à frente, com 9%.

A única razão de os Millennials não estarem poupan­do mais é que eles têm dívidas com a faculdade e ain­da não ganham muito dinheiro, segundo afirma Anne Coveney, gerente sênior da T. Rowe Price, especiali­zada em aposentadoria. A renda pessoal média dos Millennials é de apenas US$ 57 mil anuais.

“As circunstâncias podem estar, de alguma forma, di­tando seus comportamentos”, afirma Anne Coveney. “Quando eles têm como fazer a coisa certa, aparente­mente eles fazem com frequência.”

De fato, os Millennials prestam mais atenção às suas despesas que os Baby Boomers (75% versus 64%). E 67% dos Millennials não saem do orçamento, número que entre a geração do pós-guerra fica em 55%. En­quanto isso, 88% dos Millennials afirmam ser muito bons em viver de acordo com suas possibilidades.

Para ser justo, os Baby Boomers estão poupando uma parcela maior de seus salários para a aposentadoria do que os Millennials, mas duas vezes mais Millennials aumentaram suas poupanças para a aposentadoria nos últimos 12 meses, informa a pesquisa da T. Rowe Price.

A data de aposentadoria diz muito sobre a mentalida­de dos Millennials. Muitos Baby Boomers começaram suas carreiras com planos de pensão de benefícios de­finidos. Esta é uma frase que a geração dos Millen­nials nunca ouviu falar.

Muitos dos Millennials acreditam que a Previdên­cia Social vai quebrar antes de eles se aposentarem. Eles sabem que estão por conta própria na questão da aposentadoria. E embora na média eles não estejam poupando tanto quanto o permitido em lei, os dados sugerem que, assim que tiverem condições, eles vão tirar total vantagem dos planos de previdência priva­da em que os empregadores complementam o valor que o funcionário poupa.

“Eles estão mostrando disciplina financeira no geren­ciamento dos gastos e desafiando o estereótipo de que sua geração é consumista e tem uma visão de curto prazo”, observa Anne Coveney.

Os Millennials também não precisam de tanta ajuda quanto as gerações anteriores. Eles querem conselhos e estão até mesmo conseguindo isso dos chamados consultores-robôs – algo que apenas uma pequena fração dos Baby Boomers está disposta a fazer -, que usam um algoritmo de computador para escolher uma carteira de fundos de índices e cobram taxas de administração bem menores que os corretores con­vencionais.

No serviço automático de investimentos Wealthfront, 60% dos clientes têm menos de 35 anos, segundo in­forma a própria companhia. Apenas 10% têm mais de 50 anos. Os Millennials estão contando seu dinheiro cuidadosamente, portanto não seria sábio afirmar que eles não poupam para a aposentadoria.

(Bobbi Rebell da Reuters, tradução de Mario Zama­rian – Valor Online)