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PROJEÇÕES DO IBGE APONTAM TRIPLICAÇÃO DA POPULAÇÃO IDOSA ATÉ 2060

 

Os dados e informações divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de julho de 2018 mostraram o aumento da população idosa no país, o que já se sabia desde o último levantamento realizado há cinco anos. O que continua surpreendendo é a velocidade e a intensidade com que essa tendência vem afetando a demografia da população, o que coloca a discussão da Reforma da Previdência na pauta central do próximo Presidente da República. “Entre 2018 e 2060 haverá aumento médio anual de 1,1 milhão da população acima de 60 anos. É um aumento muito rápido e intenso”, aponta Rogério Nagamine Costanzi (foto), pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O especialista aponta que hoje a relação entre a população em idade economicamente ativa (15 a 64 anos) e o grupo de idosos é de 7 para 1. Em 2060, essa relação vai cair de 2 para 1.

A população acima de 60 anos saltará dos atuais 28,5 milhões em 2018 para 73,5 milhões em 2060. Se considerado o grupo acima de 65 anos, haverá uma triplicação nos números dos atuais 19,2 milhões para 58,2 milhões. Segundo as projeções, o grupo de idosos representará 25% da população total do país em 2060. O cenário futuro indica, segundo o pesquisador, que será necessário realizar a Reforma da Previdência, nem que seja com mudanças paramétricas (idade e regras de contribuição).

O grupo acima de 65 anos crescerá a uma média de 2,7% ao ano no período considerado. Já a população acima de 80 anos de idade, aumentará a uma taxa média anual de 3,7%, o que fará quintuplicar o grupo de octogenários no Brasil. Enquanto isso, a população total crescerá a uma média anual de apenas 0,2%. Para agravar a situação, a população ativa, de 15 a 64 anos, já está começando a apresentar queda desde o ano passado.

Bônus demográfico – Os dados do IBGE mostram que o país está deixando para atrás o período de bônus demográfico, que é marcado pelo crescimento da população em idade economicamente ativa (15 a 64 anos). “Havia uma previsão que o bônus atingisse o ponto máximo entre 2020 e 2022, mas ele terminou em 2017, ou seja, antes do previsto”, explica Rogério Nagamine. Segundo o especialista, isso ocorreu porque o aumento da longevidade foi mais rápido que as projeções anteriores.

Tudo isso traz perspectivas negativas para a Previdência Social em termos de aumento do déficit. Se atualmente o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) tem 27,8 milhões de beneficiários, em 2060, esse número saltará para 62,9 milhões, se não ocorrer mudanças nas regras da previdência. Além das mudanças paramétricas da reforma, o pesquisador do IPEA defende a expansão da Previdência Complementar e do modelo de capitalização, sobretudo para o setor do funcionalismo público. “É importante que o regime de previdência complementar seja implementado para todos os estados e municípios, assim como ocorreu com a União”, opina o especialista. Rogério Nagamine não descarta a realização de uma Reforma de caráter mais estrutural, principalmente para o setor público, com a equidade de regras entre os regimes próprios e o regime geral.

Reforma estrutural – Representando a posição da Associação, o Diretor Presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), Luís Ricardo Marcondes Martins, tem defendido a realização de uma Reforma da Previdência de caráter estrutural, com o fortalecimento da Previdência Complementar e do modelo de capitalização de recursos. Apesar de considerar as mudanças nas regras de idade mínima e contribuição necessárias, o dirigente explica que essas alterações têm caráter paliativo e não serão suficientes para manter o sistema equilibrado no longo prazo. “Os dados do IBGE mostram que o aumento da longevidade está ocorrendo em ritmo acelerado. Por isso temos destacado a importância da Previdência Complementar como parte da solução dos problemas do país”, diz Luís Ricardo. A Abrapp tem defendido essa proposta Reforma de caráter estrutural junto ao Fórum de Incentivo à Poupança de Longo Prazo, de iniciativa do professor Hélio Zylberstajn, da FIPE-USP.

(Fonte: Notícias Abrapp)