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Giro de Notícias – Edição 166

GERAÇÃO COM MAIS DE 50 ANOS REVOLUCIONA VELHICE E VIVE A “GERONTOLESCÊNCIA”

 

Gerontolescência é a palavra que define um novo jeito de envelhecer. Criada pelo especialista Alexandre Kalache, trata-se de uma mistura dos conceitos de envelhecimento e adolescência e se refere a um grupo de pessoas que está saindo da idade adulta, passando pelos 65 anos, mas que ainda não envelheceu de fato. “Gerontolescência significa estar pelo mundo, ativo, criando uma nova construção do que é envelhecer”, explica Alexandre Kalache.

Em entrevista à BBC Brasil, Kalache diz que o brasileiro terá que trabalhar mais tempo “quer goste ou não”, acima de tudo porque terá uma vida mais longa. Mas a boa notícia, afirma, é que a chegada à velhice da geração do pós-guerra cria uma nova construção social, que é a gerontolescência.

O médico hoje preside o Centro Internacional de Longevidade Brasil, afirma que os baby boomers — geração que nasceu no pós-guerra e que atualmente tem mais de 50 anos — estão revolucionando a velhice e transformando o período em uma nova fase porque são em maior número, têm um nível de saúde e vitalidade maior e melhor formação do que as gerações que envelheceram antes deles.

Ao falar do cenário do Brasil, o médico afirma que o país apresenta um rápido envelhecimento populacional, decorrente da queda da taxa de fecundidade e do aumento da expectativa de vida, mas não está preparado para isso. “Primeiro por causa da velocidade das mudanças e, segundo, pelo contexto. Eu sempre digo que os países mais bem preparados são os desenvolvidos, que primeiro enriqueceram para depois envelhecerem. No Brasil ainda não resolvemos os problemas sociais do passado e, de repente, temos problemas associados a uma população que envelhece e envelhece mal porque teve um curso de vida de pobreza, não pôde evitar doenças que poderiam ter sido prevenidas e, quando elas ocorrem, não recebem resposta adequada dos serviços de saúde”, afirma.

Kalache fala ainda sobre a necessidade de trabalhar a sociedade para que dê oportunidades de uma educação continuada ao longo da vida. Para que as pessoas ao envelhecer possam ser ainda produtivas. Para ele não envelhecer significa morrer cedo. “Envelhecer é bom. Morrer cedo é que não presta”, enfatiza.

O médico fala também que o grande capital natural que existe no mundo inteiro, e o recurso que menos está sendo utilizado, é velho. “Vamos dar oportunidades a eles contribuírem com a economia. Eu não tenho culpa nenhuma de estar trabalhando. Primeiro, porque não estou competindo por um trabalho com um cara mais novo. Eu não podia fazer o que faço hoje quando tinha 25 anos. E o mais novo não consegue fazer o que faço hoje. E a essa altura eu não estou interessado em carreira. Já fiz a carreira. Estou interessado em deixar pegada, em nutrir, em ser mentor, ajudar, abrir caminho, dar oportunidades”, conclui.

(Fonte: www.seufuturovalemais.com.br)