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Giro de Notícias – Edição 150

PARA ESPECIALISTA SOLUÇÃO PARA APOSENTADORIA VAI ALÉM DA REFORMA: É NECESSÁRIO FORTALECER A PREVIDÊNCIA PRIVADA

 

Um levantamento realizado pelo economista e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), José Roberto Afonso, baseado em estudo do Banco Mundial, apontou dados preocupantes sobre o futuro dos aposentados no Brasil. Além do aumento na expectativa de vida, de 1940 a 2015, ela passou, para ambos sexos, de 45,5 anos para 75,5 anos, e houve uma significativa mudança no mercado de trabalho.

Apenas 4,7% dos 60% mais ricos no país guardam dinheiro para a aposentadoria. Entre os 40% mais pobres, a participação cai para 2,1%. Mesmo a comparação envolvendo apenas países de baixa renda, a média é bem superior àquela vista no Brasil. Nesses locais, 10,2% dos mais ricos e 5,6% dos mais pobres poupam para quando saírem do mercado de trabalho.

É consenso entre especialistas que salários considerados baixos não justificam a pouca adesão a planos de previdência complementar privada, nem mesmo a dificuldade em se habituar a poupar.

Segundo o economista, desde a montagem dos institutos de previdência na década de 50, até a concepção da seguridade social na Constituição de 1988, muitas coisas mudaram na economia e na sociedade. Sendo assim, é necessário rever alguns arranjos sociais “com uma visão que irá muito além da concessão de benefícios”, explica em seu artigo.

Os dados das declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física, divulgados pela Receita Federal, mostraram uma mudança radical no mercado de trabalho. De um total de 27,5 milhões de declarantes em 2016, já chegava a 2,3 milhões os que trabalhavam por conta própria e a mais de 5 milhões os proprietários de empresas.

Para o especialista, a perspectiva para a previdência social é bem negativa, visto que os desafios vão além da mudança no perfil demográfico, questão que já é razoavelmente estudada. Os problemas estão também no aumento significativo da parcela de brasileiros com renda média e alta que não precisam contribuir obrigatoriamente com a previdência social. “A crise fiscal não permitirá aos governos continuarem oferecendo aos seus novos servidores uma aposentadoria com os mesmos valores dos salários ativos”, alerta Afonso. Porém, mesmo diante desse cenário de desproteção na velhice, os brasileiros continuam poupando pouco.

“Importa atentar que o recurso à previdência privada, na maioria dos casos desses brasileiros, nem se trata de complementar, mas sim de constituir a previdência única e básica”, frisa. Mesmo assim, a intenção de aderir à previdência privada permanece baixa. Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio), apenas 2,4% da população com mais de 10 anos de idade tem essa intenção. Afonso vê como solução adotar uma visão mais abrangente e ambiciosa para reformar a Previdência como um todo, inclusive fortalecendo a previdência privada.

(Fonte: José Roberto Afonso)