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DISCUSSÃO SOBRE REFORMA DESPERTA BRASILEIROS PARA OS
FUNDOS DE PREVIDÊNCIA

Com a reforma da Previdência andando no Congresso, a apreensão em relação ao futuro financeiro das pessoas aumenta. De um lado, há declarações persistentes do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o atual regime de repartição está falido. De outro, a discussão sobre capitalização ainda não dá instrumentos suficientes para concluir qual rumo terá a contribuição dos trabalhadores. Os fundos de previdência privada passam a ser uma opção em meio à nebulosidade de informações, mas é preciso ter cautela e avaliar cada passo, já que se trata de uma aplicação de longo prazo.

O país ainda sofre com a falta de planejamento financeiro, principalmente o que trata de investimentos mais longos. O hábito de poupança ainda é marginal, fruto da baixa educação financeira. Segundo especialistas, seja qual for a reforma da Previdência aprovada, a pessoa terá que andar com as próprias pernas. Isso significa que não poderá depender apenas do que for decidido no setor público.

Os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) revelam que menos de 10% da população brasileira tem recursos aplicados em previdência privada, que é um dos mais conhecidos investimentos para o longo prazo. A previdência complementar é dividida em aberta e fechada, sendo que a primeira é ofertada por instituições financeiras a qualquer pessoa que queira poupar para o futuro, enquanto a segunda destina-se aos trabalhadores de empresa ou a pessoas filiadas a associações e a sindicatos.

Os dois ramos estão crescendo no Brasil e, segundo agentes do setor, a reforma da Previdência cria oportunidade para a ampliação. A rentabilidade dos fundos de previdência complementar abertos, foi acima de 6% em 2018. A previdência complementar fechada, por sua vez, teve rentabilidade acumulada desse 12,22% no ano. Ambas superaram os juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI), de 6,42%, e da poupança, 4,62%, mas apenas a previdência complementar fechada conseguiu resultado acima da taxa de juros padrão (TJP), que foi de 10,14%.

Gilvan Cândido, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenador do MBA de previdência complementar, explica que as pessoas terão que poupar para o futuro. “A mudança de regime da Previdência Social de repartição para capitalização não tem relação direta com a previdência privada. Mas cria, sim, uma expectativa em relação ao futuro, porque o cidadão começa a se perguntar sobre a solidez do regime atual. É sempre importante investir em previdência e formar a aposentadoria no futuro”, destaca.

O presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Luís Ricardo Marcondes Martins, defende que esse sistema tem um papel fundamental para o país solucionar o “problema social” da falta de poupança. “A reforma da Previdência sabre janelas para o crescimento do setor e reforça a necessidade de as pessoas construírem a própria aposentadoria de outra forma”, ressalta.

Ele explica que, no Brasil, o nível de aplicação em previdência privada ainda é baixo, mas que o setor tem tentado atrair mais investidores. “Nosso papel é divulgar e disseminar. Nós estamos incentivando a criação de fundos instituídos, que são aqueles fechados para associações e sindicatos. Estamos criando planos mais flexíveis e reinventando para a nova realidade atual, do mercado de trabalho mais informal”, destaca.

O presidente da Real Grandeza, fundo de pensão dos empregados de Furnas e Eletrobras, Sergio Wilson Fontes, argumenta que, na média, o setor de previdência fechado tem taxas menores de administração. “Nós, inclusive, não cobramos. Só cobramos a taxa de carregamento, que incide sobre o depósito mensal”, diz. Ele ressalta também que a rentabilidade está em torno de 58% ao longo de 20 anos.

(Fonte: Correio Brasiliense)