EletraNews – 06/09/2018
6 de setembro de 2018
Giro de Notícias – 202 – 19/09/2018
19 de setembro de 2018
Exibir tudo

Giro de Notícias – 201 – 12/09/2018

GERAÇÃO Y SABE DAS MUDANÇAS NA PREVIDÊNCIA,
MAS NÃO QUER PENSAR NISSO

 

 

Os jovens da geração Y serão diretamente afetados pelas prováveis mudanças na Previdência Social que estão em gestação no país. Embora tenham conhecimento disso, pesquisas mostram que eles falham no planejamento e veem a aposentadoria como algo muito distante e não sabem – ou não querem – lidar com isso.

A pedido do jornal O Estado de S. Paulo, a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) e o Instituto de Pesquisa Ipsos fizeram um recorte de uma ampla pesquisa sobre o tema divulgado. A conclusão é que 62% dos jovens entre 23 e 34 anos já ouviram falar a respeito de mudanças que o governo pretende fazer nas regras da Previdência, número superior à média geral (54%) e de grupos mais próximos de se aposentar, como a faixa de 50 a 59 anos (46%).

Mas, apesar de conhecerem a discussão, os jovens pouco sabem sobre o funcionamento do sistema de Previdência Social. Metade disse não saber nada ou desconhecer detalhes sobre o caminho para a aposentadoria – acima da média da população (46%). De acordo com uma pesquisa do banco BNY Mellon, feita em parceria com a Universidade de Cambridge, isso não é, necessariamente, reflexo de falta de interesse dos jovens, mas sim, uma grande falha na comunicação que é feita com eles. “Não está sendo falado para essa geração qual é o tamanho da montanha de dinheiro que eles precisam escalar”, diz a pesquisa, que ouviu jovens do Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Japão e Holanda, nascidos entre meados de 1980 até a virada do século.

No caso particular do Brasil, no entanto, percebe-se um sentimento de negação da realidade. Na amostra geral, 77% dos jovens disseram que querem saber a verdade sobre como será a sua aposentadoria, enquanto no Brasil esse número cai para 48%. Mais do que isso, um terço dos jovens brasileiros afirmou que prefere não saber como será o futuro financeiro na terceira idade, por “não saber lidar com a verdade”, bem acima da média global (12%). A verdade é que não dá para esperar o tempo passar.

Para Vanessa Vidutto, advogada especializada em planejamento previdenciário, a negação do jovem brasileiro é reflexo de uma característica de imediatismo dessa geração. “Existe uma falta de compromisso a longo prazo e isso se reflete diretamente na questão da previdência, que exige planejamento”, disse Aline Sun, sócia da Guide Investimentos e responsável por um novo projeto de planejamento financeiro da empresa, é mais otimista. “Acredito que o protagonismo dessa geração supera o imediatismo. Esse jovem quer ter controle da própria vida, e a melhor forma de ter isso é se planejando financeiramente.”

Previdência privada

Em um cenário em que a Previdência Social deve ficar mais restrita, a oferta de produtos financeiros para complementar a renda na aposentadoria tende a crescer no país. Para o economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Paulo Tafner, a reforma do modelo previdenciário é importante porque pode gerar oportunidades para a criação de produtos que atendam às particularidades da juventude.

Com 25 anos e apenas dois de contribuição ao INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), o empregado Rodrigo Blanco Galvão está pessimista com o futuro da Previdência Social no país e, por isso, quer começar a investir em uma previdência complementar fechada. Ainda sem objetivos muito claros, ele pensa em aderir a um plano de previdência complementar fechada para aproveitar a contrapartida da empresa patrocinadora, mas, ainda, não pensando em guardar o dinheiro exclusivamente para a aposentadoria, o que reflete a falta da cultura previdenciária nessa geração.

(Fonte: Estadão)