EDUCAR – Documentário retrata idosos que desafiam o senso comum

EDUCAR – Introdução à Educação Financeira
29 de julho de 2015
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EDUCAR – Documentário retrata idosos que desafiam o senso comum

Documentário retrata idosos que desafiam o senso comum

 

Em ‘Envelhescência’, documentário que estreou em SP no último dia 17/06, eles dão guinada na vida.

“Envelhescência”, primeiro documentário do jovem gaúcho Gabriel Martinez, parece ter sido construído como resposta cinematográfica à definição da terceira idade feita com rigor e concisão pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012): “A velhice é uma merda”. O ponto de partida do cineasta é o oposto: “Sempre ad­mirei as pessoas que encaram a velhice de maneira positiva”, diz Martinez à Folha.

Ele conta que a ideia para o documentário surgiu há três anos, quando trabalhava na área de vídeos comer­ciais e propaganda institucional.

“Eu estava com 34 anos e passava pela minha cabeça que estava velho para começar a fazer documentários, que deveria ter começado com 20, 24. A questão me instigava: O que é ser velho?, Até que ponto a velhice é ou não é uma interpretação errônea da nossa percep­ção?, Quando, de fato, estamos velhos para começar algo novo?”

Ele foi buscar na vida respostas a essas questões. Pes­quisando na internet, encontrou cinco dos seis perso­nagens que apresenta no filme – o sexto foi indicação de uma amiga.

São homens e mulheres que descobriram uma nova vida depois da aposentadoria, após a morte do com­panheiro ou quando perceberam que já não eram bons o suficiente para o que faziam até então. Há tam­bém os que continuam suas carreiras e práticas inde­pendentemente do passar dos anos.

Todos com mais de 70 anos – alguns com mais de 80 – fazem coisas que o senso comum ou o preconceito consideram inadequadas, incompatíveis, pouco usu­ais para essa provecta idade.

Eles são velhos mesmo, já passaram da “envelhescên­cia”, termo cunhado em 1996 pelo sociólogo e psica­nalista por Manoel Berlinck para descrever a transi­ção da vida adulta para a velhice.

AS HISTÓRIAS

O maître Oswaldo Silveira, 84, que começou a cor­rer com 59 anos e hoje corre maratonas, o professor de artes marciais Ono Sansei, 89, que continuou a dar aulas mesmo depois de uma distensão na perna, a surfista Ednea Correa, 67, que começou a surfar com 57 anos, e o paraquedista Luiz Schirmer, 76, mostram que o corpo pode ser treinado e adaptado a atividades físicas extremamente exigentes, mesmo quando a for­ça já não é a mesma da juventude.

Talvez mais inusitada seja a experiência da dona de casa Judith Caggiano que, depois da morte do marido com quem ficara casada por mais de 50 anos, rompe com a repressão e entrega o corpo a dezenas de tatu­agens e piercings – três deles em locais proibidões. Ela fez a primeira quando tinha 73 anos e hoje tem mais de 60 tatuagens.

Ou a do pacato farmacêutico Edson Gambuggi que só aos 76 anos foi em busca de seu sonho de juventude e ingressou na faculdade de medicina – completou o curso com 82 anos.

Apesar de reflexões trazidas à cena por depoimentos de um geriatra, de um antropólogo e de um filósofo, o tom geral do filme é de entusiasmo com as realizações de seus personagens – em alguns momentos, parece só faltar a torcida a gritar: “Sí, se puede!” ou “Yes, we can!”

A música ambiente acentua esse aspecto edulcorado, conquistador, fazendo às vezes lembrar trechos de co­merciais – o que talvez se explique pela trajetória do diretor.

Isso, no entanto, não diminui o fato de que as expe­riências contadas são muito bacanas, inspiradoras, emocionantes. Ou, como resume Martinez: “Para mim, a velhice não pode ser interpretada como a me­lhor idade. Mas a nossa vida, após os 60, 70, 80 anos, é aberta para inúmeras possibilidades”.

Para quem se interessar em assistir, o documentário vai estar disponível na Net Now em agosto e também será exibido pelo Canal Brasil.

Mais informações no site www.envelhescencia.com. br (RODOLFO LUCENA – Folha de S.Paulo)